domingo, 17 de novembro de 2013

"Cortejo Histórico de Lisboa"

Pequeno documentário realizado por Afonso Lopes Ribeiro em 1947 acerca das comemorações do 8º centenário da conquista de Lisboa aos Mouros. As filmagens são do segundo cortejo, realizado a 20 de Julho de 1947. Este desfile foi presenciado por Eva Perón, esposa do ditador argentino Juan Perón. O primeiro cortejo tinha tido lugar em 6 de Julho.


domingo, 11 de novembro de 2012

Exposição do Mundo Português em 1940

Um documentário produzido em 1941 por António Lopes Ribeiro, cineasta e propagandista do regime salazarista, pode ser visto hoje como documento histórico.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

70º aniversário do ataque japonês a Pearl Harbor

Há 70 anos, a Marinha Imperial Japonesa lançava um ataque de surpresa à base naval americana de Pearl Harbor, no Havai. O objectivo era aniquilar a marinha de guerra dos Estados Unidos no Pacífico, ou pelo menos infligir-lhe danos tão consideráveis que permitissem ao Japão concretizar os seus objectivos: apoderar-se de territórios que lhe fornecessem as matérias-primas necessárias ao prosseguimento do seu expansionismo agressivo naquela vasta região.
Na verdade, as relações entre o Japão e os EUA tinham vindo a deteriorar-se ao longos dos anos precedentes. A aliança entre o regime ditatorial e militarista do Japão com a Itália fascista e a Alemanha nazi foi um dos motivos que levaram o governo do Presidente Franklin D. Roosevelt a negar aos nipónicos o suprimento de petróleo e outras matérias-primas que aqueles necessitavam. Este endurecimento comercial levou o governo do general Tojo, com o consentimento do Imperador Hiro Hito, a enveredar pelo drástico caminho da guerra.
Como bem anteviu o almirante Yamamoto, o estratega do ataque a Pearl Harbor, o Japão apenas logrou despertar um gigante adormecido. Não só o ataque não teve o sucesso esperado (os porta-aviões americanos, o alvo mais importante, estavam em manobras no vasto oceano, tendo escapado assim ao bombardeamento da base naval), como a entrada dos EUA na 2ª Guerra Mundial, ao lado da Grã-Bretanha e da União Soviética, veio a ser fundamental para a derrota do Eixo. Desde esse "Dia da Ignomínia", como chamou Roosevelt ao 7 de Dezembro de 1941, até à rendição incondicional do Japão menos de 4 anos depois, um longo e sangrento caminho seria percorrido. Perto do epílogo da Segunda Guerra Mundial, o Japão conheceria a devastação tremenda causada pelas bombas atómicas - a mais terrível consequência do despertar do gigante adormecido.

domingo, 4 de dezembro de 2011

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Conímbriga virtual

Recriação da cidade romana de Conímbriga.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Água radioactiva em sua casa: o Revigator



A recente tragédia nuclear na central de Fukushima, com a fuga radioactiva que, a não ser devidamente controlada, pode pôr em perigo a vida de largos milhares de pessoas, recordou-me uma época da nossa história em que se acreditava que a radioactividade podia trazer benefícios à saúde. Tanto assim que, em 1912, um invento baptizado como Radium Ore Revigator foi patenteado nos Estados Unidos da América. Mas o que era, na verdade, o Revigator?

Tratava-se de um reservatório de cerâmica com a capacidade de 2 galões (equivalente a 7,6 litros, aproximadamente), munido de uma torneira e destinado a ser repleto de água, mas com a particularidade de ter um revestimento interior de urânio e rádio. A ideia era que a água repousasse no interior do reservatório durante a noite, adquirindo assim as propriedades que se acreditavam ser benfazejas à saúde. Recomendava-se até que fossem consumidos diariamente seis copos desta água radioactiva, "fresca e revigorante". Centenas de milhares de Revigators foram vendidos por uma companhia sediada em San Francisco, Califórnia, até cerca de 1932, quando finalmente se compreendeu que os efeitos nocivos para a saúde eram mais evidentes do que os pressupostos benefícios.

A gravura que ilustra este artigo foi retirada desta página:
http://www.orau.org/ptp/collection/quackcures/revigat.htm

Bibliografia consultada: BBC History Magazine, vol. 12, nº 4, April 2011, pg. 93.

domingo, 13 de março de 2011

"Mourir a Madrid" - Filme-documentário sobre a Guerra Civil de Espanha (1936-1939)

Filme-documentário sobre a Guerra Civil de Espanha (1936-1939), realizado em 1963, mas ainda hoje uma dos melhores obras cinematográficas acerca deste conflito. Narrado em francês e aqui apresentado em duas partes.

Sobre o conflito, pode ser consultado este artigo de boa qualidade da Wikipédia:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_Espanhola



sábado, 5 de fevereiro de 2011

Guerra Colonial ou do Ultramar

Passaram ontem 50 anos sobre o início da Guerra Colonial, ou do Ultramar, como também é designada.
Iniciou-se em Angola, a 4 de Fevereiro, com o assalto por parte de elementos anti-colonialistas à Casa de Reclusão Militar, à Esquadra de Polícia Móvel e à Cadeia de São Paulo em Luanda, matando vários polícias e libertando os presos políticos que lá se encontravam. Seguiu-se a repressão da revolta por parte das autoridades portuguesas. Um mês mais tarde ocorreria o levantamento armado no norte de Angola, com o massacre de fazendeiros brancos e trabalhadores negros, levado a cabo pela UPA (União dos Povos de Angola, movimento liderado por Holden Roberto). Salazar envia então um reforço militar metropolitano para Angola, "rapidamente e em força". A resposta portuguesa foi rápida e a repressão tão brutal quanto havia sido o ataque da UPA. Entrou-se numa escalada que levaria ao alastramento da luta armada à Guiné e a Moçambique. E daí à queda do regime ditatorial salazarista iniciado em 1932 e à Revolução de 25 de Abril de 1974 - e consequentemente, ao fim do Império Português, num ambiente internacional dominado pela Guerra Fria e pelos interesses geoestratégicos das superpotências (EUA e URSS), principais beneficiadas pela desagregação de Portugal como Estado pluricontinental.

Aqui fica um site imprescindível para quem queira aprender mais sobre este tema:
Guerra Colonial, 1961-1974 

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O terramoto de 1755 - partes 4 e 5 (documentário RTP)

Termina aqui a apresentação das duas últimas partes deste excelente documentário da Radiotelevisão Portuguesa, na passagem de mais um aniversário (o 255º) do grande terramoto que em 1 de Novembro de 1755 destruiu grande parte de Lisboa.



sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O terramoto de 1755 - parte 1 (documentário RTP)

Aproxima-se a data do 205º aniversário do terramoto que destruiu grande parte de Lisboa. Durante os próximos dias irá ser divulgado aqui o documentário em 5 partes que a RTP produziu para assinalar os 250 anos do acontecimento.

Aqui fica a 1ª parte.

sábado, 28 de agosto de 2010

Visitas virtuais a palácios e museus de Portugal



São oito, até este momento, os palácios e museus nacionais que possibilitam uma visita virtual. Claro que nada substitui as visitas presenciais, mas para quem não as pode fazer, aqui ficam as ligações:

Museu Grão Vasco (Viseu)

Museu Nacional de Arte Antiga (Lisboa)

Museu Nacional Soares dos Reis (Porto)

Museu Nacional do Azulejo (Lisboa)

Palácio Nacional da Ajuda (Lisboa)

Palácio Nacional de Mafra

Palácio Nacional de Queluz

Palácio Nacional de Sintra

Boas visitas!

Foto JorgeF: Palácio Nacional de Queluz.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Revolução dos Cravos

Documento histórico, este documentário francês sobre os dias seguintes ao 25 de Abril de 1974 permanece inédito nas nossas televisões.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Francisco dos Santos: escultor, pintor... e futebolista



Com algum atraso, devido a afazeres profissionais, desvendo hoje a solução do problema 3 das "Curiosidades da História". A resposta correcta foi dada pelo leitor Victor Silva: de facto o que unia as três imagens (emblema do Sporting Clube de Portugal, na sua primeira versão; emblema da Lázio de Roma; estátua do Marquês de Pombal, em Lisboa, no local outrora conhecido por Rotunda) era o nome de Francisco dos Santos.


Francisco dos Santos, nascido em 1878, era natural de Paiões, perto de Rio de Mouro, Sintra. Órfão de pai aos dois anos, fez os seus estudos na Casa Pia, onde revelou grandes aptidões para o desenho e para a escultura. E não lhe faltava jeito também para esse novo e estranho desporto de ingleses, recentemente introduzido em Portugal, o football.

Aos 15 anos matriculou-se na Escola de Belas Artes. Terminou o curso com distinção aos 20 anos. Entretanto, não deixara de praticar futebol, primeiro no Casa Pia, e mais tarde, a nível oficial, no Sport Lisboa.

Em 1903 foi para Paris, para a Escola de Belas Artes. A bolsa de estudo era magra, e na capital francesa passou por dificuldades financeiras. Casou com uma senhora francesa e, em 1906, um subsídio concedido pelo Visconde de Valmor permitiu-lhe traçar um novo rumo na sua carreira: o destino era Roma, para prosseguir os seus estudos e aprimorar a sua arte escultórica.

De novo as dificuldades financeiras o afligiram, para mais numa época em que já era pai de um filho. Para pagar os estudos dava aulas de francês e... jogava futebol. Na Lázio de Roma, equipa que chegou a capitanear e onde atingiu grande brilhantismo. Foi o primeiro futebolista português a jogar no estrangeiro.

Regressou a Portugal em 1909, sempre na míngua de finanças. No campo desportivo, prosseguiu a sua carreira no Sporting Clube de Portugal, como jogador. Foi um dos fundadores da Associação de Futebol de Lisboa e foi, também, árbitro de futebol.

O seu talento como escultor - e também pintor - foi sendo reconhecido, e com o passar do tempo foi também aumentando a sua riqueza. Para trás ficavam os anos de uma juventude de pobreza e das dificuldades financeiras passadas quando já tinha constituído família. Já em plena República, foi o vencedor do concurso para o busto feminino que representava oficialmente o novo regime. Outras encomendas foram surgindo, a mais célebre de todas a estátua do Marquês de Pombal. Vários locais de Lisboa estão embelezados por obras suas. Na pintura, notabilizou-se pela sensualidade dos seus nus femininos.

Francisco dos Santos faleceu em 1930, aos 52 anos.

 Imagem: O busto da República, de Francisco dos Santos.

terça-feira, 23 de março de 2010

Curiosidades da História (responda o leitor) - 3

Que personalidade portuguesa está relacionada com estas três imagens?


Respostas para a caixa de comentários, por favor.

A resposta correcta foi dada pelo leitor Victor Silva, a quem endereço os parabéns! Em breve colocarei aqui um pequeno artigo sobre o escultor (e futebolista) Francisco Santos.

Foto (3ª imagem - escultura na Praça Marquês de Pombal, em Lisboa): autoria de JorgeF.

segunda-feira, 22 de março de 2010

A Revolução Francesa

Um interessante documentário sobre a Revolução Francesa, traduzido para português do Brasil. Em 14 partes!
Embora as balizas temporais sejam mais largas, o essencial do documentário centra-se no período da Convenção Republicana (1792-1795), principalmente na acção de Maximilien Robespierre, o instigador do período conhecido por "Terror". E no entanto, de início Robespierre era um intelectual do Iluminismo que abominava a pena de morte e a guerra e defendia a liberdade, a igualdade, o sufrágio universal e o fim da escravatura...



























quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Curiosidades da História (responda o leitor) - 2

Está na altura de dar continuidade à série "Curiosidades da História", satisfazendo um pedido que me foi recentemente feito. Vejamos se a resposta correcta é encontrada para este enigma.


Que relação existe entre estas duas personagens portuguesas ...



... e a localidade maltesa de Floriana?


Pequenas pistas: a personagem representada na gravura de cima viveu entre 1610 e 1677 e distinguiu-se na Guerra da Restauração; a representada na gravura de baixo, viveu entre 1663 e 1736 - mais não digo sobre esta, porque seria grande ajuda.



Respostas para a caixa de comentários, por favor.

A resposta certa já foi dada pelo leitor João André Gouveia, a quem endereço os parabéns:

A primeira imagem é de Sancho Manuel de Vilhena que teve um papel fundamental na Guerra da Restauração. A segunda imagem é António Manuel de Vilhena, sendo este o Grão Mestre da Ordem de Malta, fundou a cidade de Floriana (terceira imagem).
O nome Floriana é uma homenagem de António Manuel ao seu pai, por este ser Conde de Vila Flor.

Sobre este tema, leia-se o seguinte artigo no blogue Ordem de Malta:

http://ordemdemalta.blogspot.com/2006/06/d-antnio-manuel-de-vilhena-o-mais.html

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Nelson Mandela - 20º aniversário da sua libertação

O pequeno documentário não está legendado, mas mesmo assim decidi apresentá-lo neste dia que marca o 20º aniversário da libertação de Nelson Mandela. Neste mundo de hoje já não há muitos estadistas como Mandela, se é que há algum.

Exemplo de coerência e de coragem, Mandela é um farol para a Humanidade, tal como o foram Martin Luther King e Mahatma Gandhi. Lutar pela justiça, pela liberdade, com a força da razão e a arma da tolerância vale sempre a pena, mesmo que os novos senhores do mundo, endeusando o mercado e menosprezando o ser humano, procurem desencorajar esses ideais entre as novas (e as menos novas) gerações.

Haja esperança.

Download:
FLVMP43GP
Download:
FLVMP43GP

domingo, 24 de janeiro de 2010

Mosteiro dos Jerónimos - visita virtual




Muito interessante. Entre por aqui,se faz favor.

Imagem: Mosteiro dos Jerónimos nos primeiros anos do século XVIII. Biblioteca Nacional, Iconografia, E979A.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Futebol com História (IV) - Sport Clube Império


O Sport Clube Império é hoje em dia desconhecido da maioria dos aficionados do futebol. O clube esteve ligado aos primórdios do popular desporto em Portugal, tendo disputado o Campeonato de Lisboa entre as épocas de 1910-11 e 1927-28 (com uma interrupção na época de 1924-25, em que não participou). Nunca obteve classificações brilhantes - quedou-se algumas vezes pelo 3º lugar da tabela, sempre atrás do S. L. Benfica e do Sporting C. P., mas num período em que o quadro de competidores era bastante reduzido: entre três a sete clubes, apenas. Na época de 1917-18, por exemplo, o terceiro lugar do S. C. Império correspondeu ao último da tabela! Eram tempos difíceis, devido aos problemas económicos gerados pela Primeira Guerra Mundial, e não havia grande disponibilidade financeira para suportar uma competição mais alargada, numa altura em que o futebol era totalmente amador.

O pós-guerra foi o período menos feliz do S. C. Império. O número de clubes que disputava o Campeonato de Lisboa foi aumentando gradualmente durante a década de 20 do século XX, e nesses tempos o Império nunca conseguiu melhor do que o penúltimo lugar, acabando frequentemente na posição do "lanterna vermelha". Aparentemente, o clube terá terminado ainda antes da década de 30, pois o último campeonato que disputou foi o de 1927-28.

O nome da agremiação - Império - remonta a um período em que o termo não tinha ainda a conotação negativa que hoje carrega. Pelo contrário, as nações europeias, na ilusão da superioridade da sua civilização sobre o resto do mundo, encaravam nessa altura os domínios imperiais - sob a forma de colónias ou de outro tipo de dominação territorial - como expressão natural do seu poder. A Primeira Guerra Mundial não chegara a abalar essa presunção, se bem que tenha terminado com o domínio comercial e financeiro da Europa industrializada sobre o resto do mundo. Somente após a Segunda Guerra Mundial (1939-45) o imperialismo - e logo, o próprio termo Império - veio a assumir uma conotação negativa, símbolo da exploração sofrida pelos povos de África, Ásia e América às mãos dos colonizadores europeus. Portugal foi, de certo modo, uma excepção, pois manteve até 1975 as suas colónias em África, se bem que a ditadura do Estado Novo tivesse entretanto mudado a designação oficial para províncias ultramarinas.

Como facto curioso (e para voltar ao futebol), registe-se que o Sport Clube Império começou a competir oficialmente com o raiar da República em 1910 e deixou de competir (e provavelmente extinguiu-se) em 1928, o ano em que António de Oliveira Salazar iniciou a sua ascensão política, para se tornar a breve trecho ditador.

A gravura acima inclusa mostra o habitual equipamento auri-negro do S. C. Império. Trata-se de um cromo da década de 40, de uma colecção sobre os clubes que eram então, ou tinham sido anteriormente, membros da Associação de Futebol de Lisboa. O S. C. Império foi um dos sócios fundadores da AFL, surgida a 23 de Setembro de 1910 - ainda no tempo da Monarquia, portanto.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O que se vendia num mercado medieval?

As feiras medievais, recriadas com um maior ou menor grau de fiabilidade e rigor, são um tema cada vez mais popular nas sessões de "história ao vivo". O trabalho de investigação e de preparação logística necessário para este tipo de eventos é tremendo. Em Portugal tem havido algumas recriações de feiras medievais bastante apelativas, como por exemplo a de Óbidos - ainda que aqui se cruzem e se confundam os conceitos de feira e de mercado, que eram diferentes.

Vejamos um mercado. De meados do século XV - por exemplo, da década de 1450. Ainda vivia o Infante D. Henrique, reinava o seu sobrinho D. Afonso V, continuavam os Portugueses a descobrir a costa ocidental africana, o navegador Cadamosto chegava ao arquipélago de Cabo Verde. Em Itália, o movimento cultural que viria a receber o nome de Renascimento estava em franco desenvolvimento... Neste período, o que é que podia ser encontrado e adquirido num mercado? Uma iluminura da época pode dar-nos uma ajuda, se a soubermos interpretar.


Espreitemos esta cena quatrocentista, retirada de uma edição da obra "Livro do Governo dos Príncipes", de Egídio de Roma (c. 1243-1316). À esquerda da imagem encontramos o alfaiate e o seu aprendiz. Há roupas já prontas em exposição, penduradas numa corda. Não se trata de pronto-a-vestir, mas de peças de vestuário já acabadas e à espera de serem levadas por quem encomendou o trabalho. Os clientes levavam ao alfaiate os tecidos (que compravam noutra loja, ao negociante de têxteis), o qual elaborava os trajes pretendidos de acordo com a última moda.

Mais atrás, ao fundo da rua, está a loja dos peleiros. Talvez mais necessários na fria Europa setentrional do que na mais temperada Europa meridional, os peleiros confeccionavam os barretes e os adornos em pele que complementavam os trajes - como pode ser visto num dos homens em primeiro plano, cuja gola e canhões das mangas são em pele. As peles mais comuns eram as de raposa, coelho e gato. A pele de castor também era utilizada para fabricar coberturas para a cabeça. A pele de arminho era muito cara, de modo que só as pessoas mais ricas e importantes a podiam adquirir.

Perto da loja dos peleiros está o barbeiro. Ei-lo a escanhoar um cliente, uma tarefa facilmente reconhecível, pois não mudou muito ao longo dos séculos. Já a moda masculina, no que aos pelos faciais dizia respeito, variou ao longo do século XV. Em meados da centúria era frequente os homens apresentarem-se escanhoados. Esse era trabalho para o barbeiro, que também acumulava outras funções: dentista (ou, mais propriamente, "tiradentes") e sangrador. A sangria era um tratamento recomendado para muitas maleitas, ainda que os resultados fossem duvidosos. As bacias que se vêem na loja do barbeiro destinar-se-iam, provavelmente, a esta última actividade.

Por fim, à direita, vemos um boticário. Apresenta um letreiro que anuncia a venda de "Bom Hipócras", que era um vinho digestivo, preparado com ervas aromáticas e ao qual se adicionava, por vezes, pequenos fragmentos de finíssima folha de ouro (acreditava-se que o ouro ajudava a fazer a digestão). O nome da bebida provém do médico grego Hipócrates, pois utilizava-se uma espécie de filtro de tecido, chamado "manga de Hipócrates", para separar o vinho do sedimento das ervas aromáticas, na fase de preparação da bebida. A sua loja está repleta de recipientes e, sobre o balcão, é possível ver duas bacias. Na verdade, a que está à sua frente servia de cadinho, pois era aí que o boticário, antepassado do actual farmacêutico, preparava a combinação de ervas, especiarias e outros produtos medicinais que o médico receitava ao paciente. A bacia da direita contém pílulas, as quais eram preparadas com uma mistura de várias substâncias reduzidas a pó e amassadas até ficarem com a forma de pequenas bolinhas. À esquerda, em forma de cone, encontra-se o açúcar, produto muito caro nesta época e que entrava na composição de diversos medicamentos.

Como se vê, um pequeno "passeio" por uma iluminura do século XV pode servir de fonte de inspiração para uma recriação histórica.

Bibliografia: MORTIMER, Ian, "Groats in your purse", in BBC History Magazine, vol. 9, nº. 10, October 2008, pgs. 56-59.

domingo, 25 de outubro de 2009

A artilharia portuguesa de meados do século XV a meados do século XVI

Um interessante documentário sobre a artilharia no período da Expansão Portuguesa, produzido pela Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Histórias de piratas e portugueses em São Tomé e Príncipe



Situado próximo da costa ocidental africana, o arquipélago de São Tomé e Príncipe não escapou à actividade de pirataria e corso empreendida por ingleses, franceses e holandeses no Atlântico a partir do século XVI. Alguns casos são mais ou menos conhecidos, outros nem tanto. Por exemplo, no ano de 1600, um corsário holandês ao serviço da Companhia das Índias Ocidentais do seu país, van der Hagen de seu nome, atacou e saqueou a cidade de São Tomé. Este acontecimento é referido de forma breve no artigo "Pirataria", no Dicionário de História de Portugal dirigido por Joel Serrão (Porto, Livraria Figueirinhas, 1985, vol. V, pgs. 95-99).


Provavelmente menos conhecido entre nós foi o caso do pirata inglês Howel Davis. Em Junho ou Julho de 1719, Davis decidiu pôr em prática um plano para enganar o governador português do arquipélago, António Furtado de Mendonça, então a residir na ilha do Príncipe. O objectivo era insinuar-se junto do governador (na época, piratas e corsários mantinham por vezes relações cordiais, a título pessoal, com governadores das parcelas dos vários impérios europeus, uma vez que as actividades ilegais podiam trazer proveito a ambas as partes), de modo a ganhar a sua confiança e a poder, mais tarde, apropriar-se da fortaleza da ilha sem grande dificuldade. Subsequentemente, pretendia saquear o lugar e apropriar-se das mulheres da ilha, incluindo a esposa do governador, cuja beleza não passava despercebida.



Todavia, António Furtado de Mendonça foi avisado acerca das reais intenções do inglês e resolveu montar-lhe uma armadilha. Convidou Howel Davis para jantar na fortaleza e, quando o inglês, acompanhado por alguns dos seus homens, se dirigiam alegremente para o local, foram atacados de surpresa pela guarnição portuguesa. Um tiro atingiu Davis no estômago. O pirata ainda resistiu, mesmo ferido, e ripostou disparando as duas pistolas que levava, mas acabou por cair morto, tal como a maioria dos seus acompanhantes.



Quando a notícia chegou ao navio do inglês, um outro membro da tripulação, Bartholomew Roberts, que se tornaria ele próprio um pirata famoso, decidiu vingar o seu ex-capitão. Como já tinha estado em São Tomé, conhecia a maneira de bombardear a fortaleza do Príncipe a partir de uma posição desenfiada (ou seja, sem que os canhões da fortaleza pudessem ripostar). Assim fez, aconselhando a tripulação pirata na manobra do navio e na canhonada que se seguiu. A fortaleza e a localidade sofreram bastante com o bombardeamento. Satisfeitos por vingarem o seu capitão, os piratas afastaram-se e, mais tarde, elegeram Bartholomew Roberts para o posto vago pela morte de Davis. Foi o princípio da carreira de Roberts, que se tornou num dos piratas mais famosos da História, embora de curta duração (foi morto em 1722). No entanto, teve tempo para causar mais dissabores aos portugueses - mas isso já escapa ao tema deste pequeno artigo.

Bibliografia: TRAVERS, Tim, Pirates. A History, Stroud, Tempus Publishing, 2007.
Fotos da autoria de JorgeF, excepto a que foi extraída do programa Google Earth e que representa o arquipélago de São Tomé e Príncipe.

sábado, 12 de setembro de 2009

Monumentos portugueses (6) - A igreja de Santa Engrácia, um dos Panteões Nacionais de Portugal




Principiemos por uma curiosidade: a igreja de Santa Engrácia não se situa na freguesia do mesmo nome, mas na de São Vicente de Fora. Esta mudança ocorreu no século XIX e não implicou qualquer deslocação material do templo - foi o resultado de uma alteração administrativa. Santa Engrácia e São Vicente de Fora - atente-se ao nome - eram paróquias (mais tarde designadas por freguesias) que ficavam fora da cerca fernandina e, portanto, fora da cidade de Lisboa, aquando da sua criação no século XVI. E assim se mantiveram até aos inícios do século XIX, quando o aumento populacional e a expansão da área urbana para oriente fizeram com que a cidade englobasse, por fim, as paróquias.

Para além da peculiaridade referida, Santa Engrácia, a igreja, tem uma história invulgar. O primitivo lugar de culto foi mandado erguer naquele lugar pela infanta D. Maria, filha do rei D. Manuel I, em 1568. Um temporal em 1681 danificou-a bastante, de tal modo que no ano seguinte foi iniciada a construção de uma nova igreja no mesmo local. Foi o primeiro edifício de traça barroca em Portugal.

O ditado "obras de Santa Engrácia" é aplicado em Portugal a uma obra que se arrasta no tempo, sem conclusão á vista. E, de facto, a construção da nova igreja de Santa Engrácia demoraria 284 anos a terminar: só em 1966 ficou concluída.

Actualmente, a igreja é um dos Panteões Nacionais de Portugal (o outro é o mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde estão sepultados os dois primeiros reis de Portugal). Em Santa Engrácia encontram-se os túmulos dos escritores Almeida Garrett (1799-1854), João de Deus (1830-1896), Guerra Junqueiro (1850-1923) e Aquilino Ribeiro (1885-1963), do general Humberto Delgado (1906-1965), opositor ao Estado Novo, assassinado pela polícia política da ditadura, da fadista Amália Rodrigues (1920-1999) e dos presidentes da República Manuel de Arriaga (1840-1917), Teófilo Braga (1843-1924), Óscar Fragoso Carmona (1869-1951) e Sidónio Pais (1872-1918). Santa Engrácia abriga os memoriais fúnebres (cenotáfios) de personagens da História de Portugal entre os séculos XIV e XVI, como Nuno Álvares Pereira, Infante D. Henrique, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, Afonso de Albuquerque e Luís Vaz de Camões.

Imagem: Igreja de Santa Engrácia. Foto de JorgeF.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Foi há setenta anos...

1 de Setembro de 1939 - o início da 2ª Guerra Mundial

A Alemanha de Hitler invadiu a Polónia. Foi o climax de anos de expansionismo agressivo por parte do regime Nazi, de conquistas fáceis sem oposição das potências democráticas. De permeio, um surpreendente pacto com a União Soviética de Estaline, em Agosto de 1939, tinha condenado a Polónia à perda da sua independência, um acontecimento recorrente na sua história. Para Hitler, era a primeira conquista pela força, a primeira revanche depois da humilhação sofrida na 1ª Guerra Mundial e das duras condições impostas pelo Tratado de Versalhes. A França e a Grã-Bretanha, aliadas da Polónia, declararam a guerra à Alemanha a 3 de Setembro. Mas deixaram sucumbir a sua aliada. Foi o primeiro acto de uma tragédia que duraria seis anos. Aqui fica o testemunho desse acontecimento, em imagens da época.
















Foto: Águia do III Reich num edifício público em Munique, Agosto de 2009. Um dos raros exemplares que sobreviveram à queda do regime Nazi, no final da Segunda Guerra Mundial. Uma recordação (desprovida da suástica, o símbolo do partido único do regime ditatorial de Hitler) de um tempo em que as trevas se abateram sobre Europa. Fotografia de JorgeF.